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Unidos pela solidão
Tereza Cristina de Souza Marucci Ishiko
Por que os pastores e líderes se sentem tão sozinhos?
Não só eles, mas também a maioria das “ovelhas comuns”,
que dizem: “eu me sinto só, não tenho com quem conversar
ou compartilhar os meus conflitos...”.
Há uma multidão de líderes que nunca se encontraram, nem
sabem que os outros existem, mas estão unidos por uma
situação existencial de profunda solidão, de tal maneira
que, se houvesse um congresso para pastores cansados e
oprimidos na próxima semana, viriam em caravanas de
todos os estados onde os pastores se empatizariam,
talvez conversando sobre o assunto.
Por que temos de conviver com o fato de que todos
trabalhamos para construir o mesmo muro, mas ficamos
afastados uns dos outros enquanto o inimigo avança? Por
que sempre foi assim?
Será que até o novo homem está cansado, assentado à
beira do caminho?
O que Jesus quis dizer com a permanência nele como a
única condição para produzir fruto? Por que ele enviou
discípulos de dois em dois? E os setenta, como um grande
time? Por que precisamos criar estratégias missionárias?
Por que, se duas pessoas orarem concordando acerca de
qualquer coisa que pedirem, isso será ouvido no céu? Por
que o cordão de três dobras não se quebra?
Tomara a oração feita por Jesus ao Pai acerca dos
crentes, para que andassem em unidade com o simples
objetivo da conversão de todos os homens (porque Deus
não faz acepção de pessoas) fosse “materializada” como
resposta concreta precisamente onde estão os diversos
líderes considerados "representantes" dos evangélicos no
Brasil, entre os quais se acham -- infelizmente e
infelizes -- alguns que amaram mais o mundo e suas
riquezas; outros que, ao se decepcionarem consigo
mesmos, com o crescente ensinamento de coisas que Jesus
nunca disse ou com circunstâncias, entraram pela crença
de que Deus não pode mais interferir na história. Vemos
ainda muitas ovelhas, em algumas igrejas, também
sozinhas e vagueando sem chegar a lugar nenhum por falta
de pastoreio, reunindo-se uma vez por semana nos
próprios apriscos tentando achar o caminho das águas
tranqüilas.
O apóstolo Pedro cortou uma orelha que Jesus teve de
colar de volta; afundou por incredulidade temporária e
teve de ser puxado de volta ao barco por Jesus; ainda
viu Satanás ser expulso das palavras de sua própria boca
por Jesus; ouviu do mestre que a revelação que ele
teve não vinha dele mesmo, mas do Espírito Santo que lhe
revelou; ele, este mesmo Pedro em sua fraqueza e em sua
negação foi conduzido ao único caminho, se deixou
"empurrar" para o céu por Jesus, pelo arrependimento que
somente o Espírito Santo pôde operar nele tendo tido o
privilégio de o próprio Cristo ter rogado ao Pai para
que a sua fé não desfalecesse. Tomara todos os líderes,
ovelhas, os com dons, ou os que acham que os dons não
são para hoje, nem foram para ontem, tomara todos se
deixassem “empurrar” para o céu pelo próprio Jesus
através do Espírito Santo.
Tenha Deus misericórdia de mim, porque eu quero ir para
o céu. Tenha ele misericórdia todos os homens para que
não sejam consumidos, conforme está escrito, pois,
queiramos ou não, carregamos a marca da natureza
humana.
No freqüente convívio com líderes, conhecemos homens de
fé sincera, pecadores sobre os quais superabundou a
graça, que estão apenas cansados, sentados à beira do
caminho, não fora dele, com suas reflexões, que são as
mesmas de todos os profetas modernos, mas que, pela
exposição de si mesmos, são incompreendidos, julgados ou
exorcizados pelo fato de pensarem sobre si mesmos e
sobre a realidade da igreja oficial (porque são poucos
os que se julgam a si mesmos). Esses ficam entristecidos
e sós, olhando de fora a multidão entregue à Diana dos
pagãos.
Existe ainda uma liderança “paralela”, meio subterrânea,
homens de bom caráter e de boa vontade, simplesmente
amando a Jesus e recebendo a promessa de que, se alguém
o amar, ele mesmo virá e fará morada em sua vida. Não
são chamados de pastor fulano nem de outro título
qualquer, porque ser pastor é um dom, conforme diz a
escritura. Apenas pastoreiam porque amam a Jesus, como
Pedro, quando interrogado sobre se amava a Jesus, ouviu
do mestre: “apascenta as minhas ovelhas”. Esses homens e
mulheres não são “reconhecidos” pelos “representantes
oficiais", pelos que não suportam ver o joio começando a
ser separado do trigo e que pensam a liderança paralela
como se achando super-espiritual, quando na verdade são
os fracos nos quais se aperfeiçoa o poder de Deus.
Por que achamos que estamos sozinhos, se todo mundo
está?
Por que João Batista era a voz que clamava no deserto
quando estava próxima a chegada de Jesus?
Por que os pastores de hoje se sentem como a voz do que
clama no deserto? Estaria próxima a volta de Cristo?
“Eis que
chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis
dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas
não estou só, porque o Pai está comigo” (João 16.32).
Se Jesus, sendo deixado só, não se sentia sozinho, então
é melhor permanecer nele.
Termino com a estrofe da canção I’m just a nobody,
dos William Brothers, que diz:
I'm just a
nobody trying to tell everybody,
about somebody, who can save anybody.
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