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QUEM SOU EU ?
“Nós nos
amamos como nossa mãe nos ama”. Essa
afirmativa, assim como outras, tem
sugestionado comportamentos do tipo: “eu
vou ser o que meus pais foram, quiseram
ser ou ainda quiseram que eu fosse”, ou
“jamais vou ser isso que meus pais
querem”. Se analisarmos bem esses
indicadores no decorrer das nossas
vidas, veremos que absorvemos muito dos
nossos pais e, por incrível que pareça,
aquelas manias, atitudes e reações que
muitas vezes criticamos ou desprezamos
neles são as que mais reproduzimos.
Quando o tempo nos impulsiona a olhar
para dentro de nós, podemos vê-las ali,
conectados em nossas atitudes, ideais, e
comportamentos.
No entanto, só
passamos a querer “mudar” quando esses
comportamentos passam a nos
incomodar. Percebemos que eles não
vieram de uma reação consciente,
reflexiva, pois muito deles se agregaram
em nossa alma de forma
inconsciente, sem percebermos ou
desejarmos. São influências, marcas de
pessoas que nos viram crescer, que nos
ensinaram, que definem nossas
características e, de alguma forma
manipulam nossa identidade.
Quando fazemos
auto-análise no divã ou no deserto da
alma, começamos a perceber que nossos
referenciais são aquelas pessoas que
estiveram presentes, com afeto ou
desprezo. Podemos, então, desenvolver
duas reações: aversão ou
admiração. Quando admiramos,
surge o desejo de ser igual, às
vezes de forma inconsciente, que seria
uma identificação com outro. A
imitação nos afasta do verdadeiro eu,
pois de forma consciente desejamos ser o
outro. Na aversão não existe
admiração, mas desprezo, indiferença,
rancor, pela ausência do afeto, o elo e
espelho que nos permite nos ver no
outro.
Dificilmente
conseguimos separar essas
características, inclusive muito dos
nossos desejos libidinosos estão
inseridos nesse contexto – o que
admiramos passamos a desejar, muitas
vezes sem razão de ser –
característica necessária para o amor.
Mas quando perdemos a admiração, vai-se
também o desejo que suscita a paixão.
Quando não podemos ter o objeto
da admiração, queremos ser. As
causas inconscientes nos afastam do
verdadeiro eu e as necessidades
emocionais, a baixa estima conspiram
contra a realidade de quem sou.
Costumamos
encobrir as falhas por medo de perder a
admiração e, assim, não sermos mais
amados ou deixarmos de amar. Somente
quem percorreu seu interior encontrou a
humildade e a habilidade de amar e
admirar, apesar das falhas, defeitos e
pecados, e a olhar a si e para o
outro com maturidade, afastando assim os
desejos de imitar ou possuir.
Tratamos o outro como nos tratamos, até
que passamos a dar significado às
diferenças e assim conviver com a
igualdade: “Amar ao próximo como a
si mesmo”.
Portanto,
estejamos atentos para nossos
referenciais, pois certamente iremos
percorrer o mesmo caminho que eles
percorreram, deixando de trilhar os
nossos. Creio que por trás de um
comportamento “inexplicável” há uma
causa a ser compreendida, para só então
ser ajustada. Há pessoas que dizem que
nasceram assim... São clones
comportamentais de seus familiares,
heróis e, que por medo ou comodismo, não
se permitem uma mudança, apesar de que
mudar é um processo difícil, demorado
e doloroso, mas que evidencia uma
identidade. Ser quem somos é conhecer e
conviver de maneira saudável com
nossos defeitos e virtudes, amando a si
mesmo, motivado a melhorar sempre, sem
cobranças, tirando os argueiros e
olhando para dentro de si, para só então
ver e ajudar o outro.
Que possamos
desfrutar do status e da beleza de
sermos seres únicos, caso contrário,
estaremos sempre à sombra de outros que
vêem em nós uma extensão de si,
insatisfeitos, sem amor próprio, uma vez
que o próprio se perdeu pela
falta de amor, ou ainda é um ser
desconhecido, reprimido dentro de um
coração frustrado por não ser o que é,
mas que ansiosamente pergunta: Quem Sou
Eu?
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Karla Oton, Pisicologa |
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