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Prosperidade
10/2/2007
Tivera uma vida insossa como crente.
Criado em família evangélica, desde
pequeno, tudo o que vira tinham sido
demonstrações de um cristianismo fajuto,
sem vida e sem sabor. Quase deixara a
igreja, por absoluta falta de
confirmação entre o que via nas reuniões
e a prática de vida de muita gente,
incluindo a sua própria. Afligiam-no
ainda os efeitos de uma crise de
identidade, aliada a uma interminável
falta de grana. Esta última, então,
completava o cenário desesperador.
Foi então que surgiram ventos
renovadores. Era o fim dos anos 80, e as
igrejas evangélicas eram varridas por
novas idéias e líderes que surgiam. Em
Brasília, também era assim. Por conta
desses novos ventos, aceitou o convite
de um pentecostal e foi a um congresso
no ginásio Nílson Nélson. E lá aconteceu
o primeiro milagre: a mulher, que tinha
um desvio na coluna havia anos, foi
curada pela oração de um dos obreiros.
Isso depois de uma pregação inflamada
sobre cura, onde o máximo acontecera:
Ele vira, com seus próprios olhos, o
impossível.
Começou a aprender que tudo então seria
possível, desde que houvesse fé. E, de
fato, as coisas começaram a acontecer.
Num curto período, não tinha mais
sinusite. As crianças não pegavam mais
gripe, nem tinham dor de cabeça, enfim,
as enfermidades desapareciam. Conhecia
então Jeovah Rafah, o Deus que cura.
Em função disso, decorou algumas
passagens bíblicas que tocavam no
assunto. Ouviu alguns estudos em fitas
gravadas, anotou algumas informações e
mudou o discurso. Agora era um vencedor!
E a vida de crente, até então vazia,
começava a se tornar um negócio
interessante. No entanto, corria o risco
de cair na monotonia. Precisava de
outras descobertas.
E elas vinham, pois os ventos
continuavam soprando. Numa de suas
andanças, ouviu uma palavra sobre vida
financeira: “Somos filhos do Rei”, dizia
o pregador, “um Rei que é também o dono
do ouro e da prata!”. As palavras vinham
com força e tinham tudo a ver com ele,
vítima quase fatal do naufragado Plano
Cruzado, que o deixara cheio de dívidas
e dúvidas. Oraram por ele, pra que
houvesse um milagre financeiro.
E o milagre veio! Saiu das dívidas,
aprumou-se. Logo depois, deu uma
melhorada na casa, comprou novos móveis,
consertou eletrodomésticos estragados,
adquiriu outros. O Deus da prosperidade
estava em cena. Os filhos já andavam
mais arrumadinhos, logo surgiu o carro
(e tinha de ser novo, de luxo – afinal,
somos filhos do Rei, ora essa!). Não se
pode negar que já orava – ou pelo menos
tinha aprendido um palavreado novo, como
“tá amarrado”, “eu declaro”, “tá
ligado”, “não aceito”, tudo com ênfase
nas sílabas tônicas das paroxítonas.
Vivia em função disso: orava por um
carro melhor, por um salário melhor, por
uma casa melhor, por uma posição melhor
no trabalho... enfim, a prosperidade
financeira era um sinal evidente da
presença de Deus. E como as respostas
sempre viessem, a vida passou a se
resumir nisso: prosperidade financeira e
saúde física. Não precisava de mais
nada.
Conhecia as bênçãos de Deus.
Pra que conhecer o Deus das bênçãos?
(Zazo)
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