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No
caminho da conversão integral
3/10/2006
Habite ricamente em vós a palavra de
Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos
mutuamente em toda a sabedoria, louvando
a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos
espirituais, com gratidão, em vosso
coração (Cl 3.16).
Aprendi com o filósofo Soren Kierkegaard
que “ser santo é querer uma só coisa”. A
verdade é que eu sempre quero muitas
coisas. Vivo em busca de coisas novas.
Pode ser pouco, um livro, coisas
materiais, como a troca do carro. Ou
então idéias e projetos novos. Mas vivo
querendo. Assim, vivo a dispersão e até
a superficialidade. Mas tenho de
reconhecer que riqueza de iniciativas e
quantidade de envolvimentos não é
necessariamente a melhor forma de
contribuir para a edificação do reino de
Deus. Querer muitas coisas não significa
querer a Deus. Ter muitas atividades não
significa priorizar as pessoas. Exercer
liderança não significa caminhar em amor
em direção ao outro, ao pequeno e ao
pobre. Assim, vou descobrindo o que Deus
quer: que eu seja dele; que eu viva
nele; que eu o ame e que o sirva; que eu
queira uma só coisa: Ele. E assim,
querendo a ele, eu caminho em direção ao
outro. Jesus deixou isso claro: “Buscai,
pois, em primeiro lugar, o seu reino e a
sua justiça, e todas estas coisas vos
serão acrescentadas. Portanto, não vos
inquieteis com o dia de amanhã, pois o
amanhã trará os seus cuidados” (Mt
6.33-34).
Deus se dá por inteiro e nos quer por
inteiro
Ao abordar a Redescoberta da Palavra de
Deus, tenho salientado que Deus é alguém
que fala conosco de forma significativa
e pessoal. A Palavra que Deus nos dá é a
pessoa de Deus que se dá. A Palavra de
Deus é presença de Deus e a presença de
Deus se expressa na Palavra de Deus. Nós
separamos a Palavra, não apenas da
realidade, mas também de nós mesmos. A
mentira é a palavra dissociada da
realidade. Mas Deus não nos dá a sua
Palavra dissociada da sua realidade e da
sua pessoa. Ele dá a si mesmo: “E o
verbo se fez carne e habitou entre nós”
(Jo 1.14).
Deus é amor e a natureza do amor é a
doação. E isso Deus faz como só ele o
pode fazer: criar por amor, restaurar
com amor. Na busca do resgate e da
restauração, Deus se dá por inteiro. Sem
reservas. Dar-se querendo uma só coisa:
a nossa vida. A nossa presença diante
dele e com ele. Dá-se em busca da
restauração de uma natureza “distorcida”
e uma humanidade caída. Dá-se. Deus é
santo! Ele quer uma só coisa. Um segredo
que Ele vive de forma tão inteira e
bonita: dar-se por inteiro a cada um e a
todos. Dar-se por inteiro como se tudo
fosse uma só coisa — e uma só coisa é.
E isso ele espera também de nós: que nos
demos a ele por inteiro. Que o busquemos
e queiramos. Que ele nos baste e que
toda a nossa vida seja uma expressão da
sua realidade e da sua glória. Que a
nossa vida se inspire na realidade do
amor de Deus e que a partir do encontro
com esse amor a nossa vida seja santa,
dedicada inteiramente a ele e que
deixemos de viver claudicando, como
advertiu Elias: “Até quando coxeareis
entre dois pensamentos? Se o Senhor é
Deus, segui-o; se é Baal, segui-o” (1Rs
18.21).
É hora dos panos de saco e das cinzas
Sempre houve, no decorrer da história,
movimentos de renovação que surgiram
como fruto de um novo encontro com a
Bíblia. Deus fala, a conversão acontece
e novos movimentos emergem. O encontro
com a Palavra de Deus é fonte de
esperança. Não há situação perdida. De
forma inesperada, Deus atua e faz novas
as coisas que julgávamos perdidas. É por
isso que há esperança também para nós. É
por isso que somos convidados a nos
reencontrar com a Palavra de Deus, para
que algo novo possa surgir em nós e
entre nós. É por isso que Deus não deixa
de nos chamar para si.
Assim, olhando para uma igreja que tem
crescido, como a nossa igreja
evangélica, podemos afirmar que Deus
quer, não apenas a quantidade, mas
também a qualidade desse crescimento.
Qualidade ancorada na busca de Deus e no
compromisso com o amor e a justiça. Deus
não quer apenas a multiplicação dos
nossos ministérios, que às vezes só
evidenciam a promoção de egos. Ele quer
expressão de serviço, buscado em
humildade e unidade. Deus não quer que a
nossa presença nos diferentes segmentos
da sociedade seja ideológica e
interesseira, em que os meios não
importam e os “sanguessugas” se espalham
sob o manto da expansão institucional ou
pessoal. Ele quer que a nossa presença
nos diferentes segmentos da sociedade
seja fermento para o amor e a justiça.
Diante da referência aos políticos
evangélicos corruptos nas investigações
e jornais, ouvimos Deus falar conosco
como nos tempos dos profetas: “Quando
multiplicais as vossas orações, não as
ouço, porque as vossas mãos estão cheias
de sangue. [...] Aprendei a fazer o bem;
atendei à justiça, repreendei ao
opressor; defendei o direito do órfão,
pleiteai a causa da viúvas” (Is
1.15-17).
Temos nos comportado como quem quer
muita coisa, e neste desejo desenfreado
temos nos contaminado e corrompido. Deus
nos chama a querer uma só coisa: ele — o
seu reino e a sua justiça.
Fonte: Ultimato
Valdir Steuernagel é pastor luterano e
trabalha com a
Visão Mundial Internacional
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