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Não há guerra civil mas há fome
6/12/2006
Não podemos pensar em expandir o Reino
de Deus sem levar em conta
o aspecto social e cultural da
comunidade a ser alcançada, nem esquecer
que a credencial celeste para tal
honraria envolve todos os aspectos
relacionados às pessoas: suas
necessidades espirituais e materiais.
Segundo o conceito definido pela
Organização Mundial de Saúde, têm fome
aqueles cuja alimentação diária não
aporta energia requerida para a
manutenção e funcionamento do organismo
e para as atividades ordinárias do ser
humano. A situação de pobreza se
caracteriza nos casos em que a renda per
capta é insuficiente para suprir
necessidades como teto, vestes e saúde,
e a pobreza extrema quando a renda não é
suficiente para aquisição de alimentos.
Infelizmente é essa a realidade de
milhões no Brasil, inclusive com vários
crentes nesse contexto.
Trabalho com liderança sertaneja na
região do vale do Piancó, na Paraíba.
Tenho presenciado carências reais na
área da alimentação, na população como
um todo, incluindo evangélicos também. A
subnutrição, o analfabetismo, a carência
de vestes, o suprimento às mais básicas
necessidades humanas, são negados a boa
parte da população do sertão.
A igreja evangélica sertaneja não está
preparada para agir dentro de um
contexto de carência social. Tem se
omitido ou praticado um assistencialismo
ineficiente ou ainda, alienada, dizer
“isso não é comigo”.
Existem crentes, vítimas de injustiça
social: mulheres que perderam seus
filhos antes de completarem 1 ano por
falta de condição de higiene, ou em
abortos espontâneos como conseqüência
das doenças comuns a subnutridas; que
morrem por falta de assistência médica.
Poderia trazer em linhas gerais dados de
carências que envolvem a população como
um todo, mas, propositalmente, quero
provocar o nosso corporativismo já que
uma boa parte continua insensivel às
causas da injustiça social. Crentes
também passam fome!
Devemos, como igreja, priorizar um
Evangelho que traga esperança de vida
hoje e na eternidade, além de caráter e
resgate social, tomando paralelamente
iniciativas concretas que possibilitem
reformas promotoras da restauração da
dignidade humana de forma integral.
O pecado de omissão da igreja pode
trazer conseqüências para seus membros,
assim como o pecado do rei Davi com
relação ao censo, que trouxe
conseqüência para o povo inocente de sua
nação 2 Samuel 24.
A acusação contra a injustiça social
profetizada por Tiago nos capítulos 2 e
5 de sua carta denuncia fortemente essa
realidade da atual igreja brasileira.
A nossa luta tem sido no sertão
nordestino, que, aliás, fala a língua
portuguesa e não está em guerra civil.
Fica no Brasil. É uma das poucas áreas
do mundo que, insisto, sem guerra civil
ou mesmo, conflito contra alguma outra
nação, existe uma realidade de pobreza
absoluta em massa, alimentada,
principalmente por um controle
semifeudal de uma minoria corrupta
detentora do poder político, econômico e
religioso na região – há, no mínimo, uma
conivência ou omissão das várias
tendências religiosas que se
estabeleceram por aqui, com poucas
exceções.
Quais serão os parceiros nessa luta
contra a miséria em nossa nação?A minha
expectativa é que o reino do Cristo
chamado de Messias, através de seus
representantes. Onde eles estão?
Não está na hora de desassimilarmos,
enquanto Igreja, a ideologia fascista
daqueles que dominam e controlam a
estrutura de comunicação de massa e
econômica do ocidente, com a necessidade
de ter espelhos que reforcem seu
narcisismo racial e cultural, vitimando
toda uma massa humana que, iludida,
busca satisfação em valores superficiais
e voláteis? Não está na hora de enquanto
igreja, enquanto povo brasileiro,
dizermos NÃO para o estabelecido por uma
minoria que constantemente diz NÃO para
a nossa liberdade, para nosso
crescimento, seja intelectual ou
econômico?
A realidade de exclusão, de uma forma
geral, ainda é estupidamente indecente.
No Brasil a injustiça social e o racismo
estão entranhados na cultura. A sua
nocividade só pode ser combatida com
denuncias explícitas, proporcional a sua
gravidade. Um flagelo secular que
precisa ser resolvido com uma reação
superior, muito mais forte: Acredito na
não violência, no perdão e num intenso
trabalho de resgate cultural, numa
mobilização cristã assumida, denunciando
de forma profética. Chega de omissão! É
conosco, chega de silencio!
Pr.
Pedro Luis
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