É proibido fumar, mas é fácil
vender a alma ao diabo
26/3/2007
É
proibido fumar. Pelo menos é o que dizem os muitos avisos em
ônibus, restaurantes, cinemas... Mas o que era um “raro prazer”
não parece acabado. Os números do jornal The Economist são
impressionantes. Nos EUA, no final dos anos 90, o cigarro matou
mais do que a AIDS, acidentes de carro, álcool, assassinatos,
suicídios, drogas ilegais e incêndios, juntos. São mais de 400
mil mortes por ano, 160 mil de câncer de pulmão.
Vale a pena ler a matéria completa publicada no Brasil pelo
jornal Valoronline. A história do cigarro nos EUA é assustadora.
Escrita por Allan Brandt, de Harvard, em “The Cigarette Century”,
(Basic Books), começa com a máquina de enrolar cigarros, em
1881, passando pela época em que os velhos “reclames” diziam:
“Mais médicos fumam Camel...”, até o acordo entre a indústria do
tabaco e os Estados norte-americanos no valor de 246 bilhões de
dólares. Em troca, claro, os estados abandonaram as
reivindicações contra a indústria e torcem para que ela fature
ainda mais e o diabo os livre da inadimplência. Daí o sugestivo
título da matéria: “O diabo aceita dançar, mas escolhe a
música”. (Para os cinéfilos, uma dica que combina com a matéria,
mas não com a indústria do tabaco: "O Informante", com Al Pacino.)
Por falar em diabo, em Um Ano com C. S. Lewis – leituras diárias
de suas obras clássicas, o autor, quando assume o papel de
aprendiz do coisa-ruim, tem a fórmula certa para a distorção do
prazer: “Uma dose considerável a mais de desejo, em troca de um
prazer cada vez menor”. [...] “Encorajar os seres humanos a, vez
ou outra, experimentar os prazeres que o Inimigo [Deus] criou de
formas ou em intensidades que ele tenha proibido” e “afastar as
condições naturais de qualquer prazer em direção àquele que seja
o menos natural, o menos bem cheiroso ao seu Inventor [Deus] e o
menos prazeroso possível”. Enfim, o aprendiz arremata: “Comprar
a alma do homem em troco de nada é tudo que pode de fato
contentar o coração de Nosso Pai [o diabo].