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Desarmamento: Triste Reincidência
18/10/2005
O
conhecimento da História é um
instrumento poderoso que pode nos ajudar
a não repetir erros do passado, mas
avançar na construção de uma sociedade
melhor. Vejamos alguns grandes fatos
históricos e seus ensinos.
ESCRAVIDÃO – A longa campanha para
acabar com escravidão no Brasil, chegou
a bom termo em 1888, embora muitos
cidadãos, “homens de bem”, inclusive
cristãos fossem contrários e tivessem
trabalhado arduamente pela “manutenção
do direito” de ter escravos. Estava na
Lei, era constitucional, era um direito,
mas ainda assim, um direito injusto,
perverso, desumano, que massacrava e
matava milhares de pessoas. Hoje a
escravidão é vista como algo hediondo,
e, às vezes, pessoas questionam: Como
aquelas gerações conviveram por mais de
300 anos com uma mentalidade e prática
escravocratas?
NAZISMO – Quando Hitler chegou ao poder
na Alemanha, em 1933, muitos reagiram
contrariamente àquela ideologia da
morte, mas a maioria de cristãos, bem
como a maior parcela de toda sociedade
apoiaram claramente o regime, afinal era
constitucional, legal! Era um “direito”
manter aquela ordem. A chamada “igreja
confessante”, que à luz de sua
compreensão bíblica ficou contrária ao
governo nazista, foi perseguida e
massacrada pelo regime. Hoje, a
sociedade reconhece amplamente o absurdo
e atrocidades do Nazismo e uma das
perguntas que ainda incomodam nossa
geração é: Como essa estrutura de morte,
fundamentada na violência brutal das
armas, se manteve por tanto tempo,
inclusive com o apoio da maioria dos
cristãos?
DITADURA DE 64 – Quando os militares
tomaram o poder no Brasil, destruindo a
ordem constitucional, estabeleceram uma
ditadura que após 1968, especialmente,
torturou, desapareceu, matou milhares de
pessoas, que, sequer, tinham cometido
qualquer crime. Muita gente,
principalmente cristã, deu forte apoio à
ditadura, como é sabido. Igrejas
chegavam a realizar “cultos cívicos” no
dia 31 de março em apoio à ditadura!
Hoje, esse passado de violência, procura
ser renegado por nossas lideranças, pois
há uma consciência dos trágicos
malefícios do regime de 64. Entretanto,
muitos ainda questionam: Como aqueles
que se diziam servos de Deus estiveram
ao lado – e apoiaram – uma estrutura do
mal como a ditadura?
DESARMAMENTO – O que parecia uma questão
pacífica para os cristãos, já que o
sistema de armas é usado estruturalmente
pelo Mal para destruir milhares de vidas
no mundo, principalmente no Brasil, para
triste surpresa, muitos cristãos
defendem abertamente as armas! Embora
afirmem ser contrários a armas e usem
argumentos aparentemente plausíveis, o
resultado de sua opção é clara: Defendem
o comércio de armas e, por conseqüência,
o vetor que causa a morte de 108 pessoas
por dia, isto é, a arma de fogo! Isso
sem falar nos lucros da indústria de
armas, às custas do assassinato,
suicídio e acidentes causados por este
instrumento feito com objetivo único que
é matar.
Daqui há anos quando creio que teremos
uma sociedade com menos armas e, por
isso, com mais vida e qualidade de vida,
a pergunta óbvia a ser feita, será: Como
tantos cristãos, juntos a uma parcela da
sociedade brasileira do início do século
XXI, manifestaram posições contrárias à
defesa da vida e estiveram ao lado de um
sistema de morte, mantido por armas de
fogo? Como?
Vários cristãos disseram NÃO à Abolição,
mas ela foi vitoriosa em 1888.
Muitos cristãos disseram NÃO à vida, à
dignidade para todos, tanto no Nazismo
quanto na Ditadura militar no Brasil,
mas tais sistemas foram derrotados.
Diversos cristãos hoje dizem NÃO ao
desarmamento – desarmamento que salva
vidas como fartamente comprovado. Mas a
proposta do Reino de Deus não inclui
armas, qualquer arma (Sl 46.9; Is 2.4;
Mt 26.52; Jo 10.10 etc). Assim como em
outros momentos da História, a defesa de
vida e o controle rigoroso de armas há
de ser vencedor, apesar de todas as
forças contrárias. O Reino de Deus é das
crianças, dos simples, dos humildes. Não
é dos fortes – dos fabricantes de armas
e seus defensores. Não é dos que confiam
em carros ou em cavalos (armas do
passado), mas daqueles que confiam no
Senhor (Sl 20.7), o Deus da Vida.
Em suma, esta reincidência histórica, em
favor do Mal, deve ser encerrada aqui.
Vote 2 no Referendo e diga SIM à Vida!
Clemir Fernandes
Sociólogo
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