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Colocando as máscaras!
15/3/2007
Está
bem pessoal, vamos remover as máscaras!
É assim que o escritor do livro "Vivendo sem Máscaras" inicia sua
obra, que estimula a vivermos relacionamentos sinceros, abertos e
transparentes.
Sabemos que o termo máscaras sempre foi usado de forma pejorativa.
Ao falarmos de máscaras, logo nos vem à memória o carnaval, festa em
cujos bailes, tradicionalmente, era comum o uso das máscaras, muitas
vezes enfeitadas, coloridas. Nesse tipo de festa, o indivíduo
utilizava-se desse adereço com o fim de não ser reconhecido
prontamente, ou de encobrir o rosto, caracterizando-se como
personagens de TV, de cinema, etc.
Quem não se lembra, por exemplo, do Zorro, personagem que inspira a
muitos, até hoje? Um homem “normal” que ao colocar a máscara
tornava-se um herói. Outros se inspiram nas rainhas e reis. Conforme
a projeção, as máscaras serviam para que também as pessoas pensassem
ser quem não eram, pelo menos por um instante de descontração.
Muito tem se falado sobre relacionamentos nas empresas, na área
profissional, na educação, na família e também nas igrejas (koinonia
— comunhão). O que pouco ouvimos é sobre a necessidade da fidelidade
nesses relacionamentos. Ouvimos casos de fofocas, traições, pecados,
que outrora compartilhados, foram expostos de maneira leviana, com o
fim de se tirar proveito da situação. Muitas vezes a própria
liderança ouve as revelações dos desmascarados para usá-las na “hora
certa”, trazendo-lhes algum benefício. Freud já discernia que "a
informação traz o poder, e este, a soberba".
É notório que estamos vivendo dias difíceis e proféticos, essa
realidade vem exigir de nós, em todas as áreas, prudência e cautela.
Mesmo sabendo que a comunhão faz parte da vida cristã, temos que
discernir quando e com quem devemos “tirar as máscaras”, para depois
não sermos vítimas das nossas próprias palavras, usadas contra nós,
e não como alívio de cargas. Lembro-me daquela frase dos filmes
policiais: “Tudo que você disser poderá ser usado contra você!" Na
dúvida, mantenha o silêncio da solidão.
Nem todos, pela sua própria estrutura, história de vida, educação,
espiritualidade ou maturidade, estão aptos a nos ver como realmente
somos e ainda assim continuar olhando para nós da mesma maneira, com
a mesma admiração, muitas vezes irreal, vinda de uma imagem
projetada. Não devemos deixar que pensem o que somos quando não
somos. A aceitação inicia em si mesmo para só então alcançar o
outro, o que constitui um sinal de maturidade. Se eu ainda não tive
estrutura emocional de tirar as minhas máscaras para mim mesmo, como
suportarei ver o outro, que é semelhante a mim, desmascarado?
Estaria vendo a mim? Pode ser que vejamos um espelho refletindo
nossa humanidade e suas tendências esquisitas, pecaminosas e
doentias. Se você já se viu sem as máscaras, certamente você irá
ultrapassar o espelho e chegará à alma do outro; se não, poderá
levar um susto e recuar com crítica, desilusão, desprezo,
indiferença ou superioridade.
A Bíblia nos orienta a tirar primeiro o argueiro do nosso olho para
depois tirar o do nosso irmão. Essa atitude nos aproxima da dor e
também do alívio que o outro sentirá na retirada do argueiro, mas
quem não passou por isso, terá a inclinação de querer tirar o
argueiro alheio de qualquer maneira, movido não pela compaixão, mas
pela exposição do outro, pelos aplausos dos sádicos, dos ainda
mascarados de super-heróis da santidade, e da infalibilidade. Estes
se consideram aptos, e nesse “ofício santo”, têm deixado muita gente
cega, tendo que usar a máscara dos piratas, enfrentando grandes
tempestades.
Portanto, antes de tirar a máscara de alguém, ou para alguém,
reflita as motivações, se essa atitude vai contribuir positivamente.
Não defendo nem sou a favor da hipocrisia; porém, precisamos ser
conscientes das nossas máscaras, e que por trás de cada uma delas há
sempre um coração que precisa ser compreendido, aceito e amado. Se
agirmos com o coração, não sentiremos ansiedade em tirar máscaras;
elas cairão por si; quando não, saberemos que elas muitas vezes
serão necessárias, desde que você as esteja segurando.
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Karla Oton, Pisicologa |
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